Sobre a mãe que não sabe ser mãe porque não teve uma

"(...) são mães que adoram o filho imaginário, mas que não suportam o filho real mais de uma hora sem o maltratar. Elas falam do filho com saudades, suplicam para estarem juntos quando separados por muito tempo. Depois, basta passarem uma tarde juntos para se perceber que os dois (mãe e filho) não podem se suportar: a criança chora e a mãe berra. A mãe luta por um filho imaginário, ela pensa em seu filho como sendo um boneco, que joga no armário ao voltar para casa! Ela recusa a criança, se esta tem uma ideia propria. Ela não sabe estar em relação com o filho.

(...) a criança ama a mãe, é preciso que continue a ama-la, mas sem toma-la como exemplo. Isso é o mais difícil. Se a criança se põe a falar a linguagem da perversão, da depressão e da intoxicação (da mãe), ela não vai poder se construir. A criança se torna masoquista. Não quer se separar da mãe.

(...) o educador ou psicanalista deve ajudar essa mãe para que esta consiga saber cuidar do filho real, permitindo assim a essa mãe descobrir o quanto essa criança é interessante, pois para a mãe não passa de fonte de esgotamento.

(...) O psicanalista/educador também pode ajudar a criança. No caso da criança pequena,se deve separar da mãe. E deve-se desculpar a mãe: "Sabe, sua mamãe não pode cuidar de você, mas você a verá todos os sábados e domingos. Você vai ser criado em outra família". E, a partir dos oito anos, a criança já sabe fugir quando as coisas ficam feias, e depois volta para a casa. E a criança de oito anos já é um ser humano total, se foi criada para ser um sujeito a quem se pode dizer: "está vendo, sua mãe não sabe cuidar de crianças. Você pode tentar ficar com sua mamãe e ajuda-la em casa. E se não der certo, você pode sair de casa(passar um tempo na casa dos avós, de amigos etc). Sempre haverá possibilidade de abrigar você em algum lugar!" Seria formidável poder fazer isso, isto é, dar à criança uma autonomia e responsabilizá-la, sem deixar de amar a mãe que é carente, e, a criança vendo que a mãe não pode ser mãe, porque ela mesma não teve mãe para cuidar dela (...)".

Leia mais na obra "Destinos de crianças" de Françoise Dolto, páginas 148-151.

Filtro contra xingamentos

Uma criança que recebe uma repreensão verbal e não reage não está bem consigo mesma. Para estar bem consigo mesma, ela precisa, tendo sido repreendida, responder com besteiras, que o adulto não deve ouvir. De vez em quando, um aluno era repreendido por ter feito algo perigoso, arriscado. Assim que o professor se afastava, a criança respondia dizendo uma besteira, e assim tudo entrava nos eixos. A criança teve seu castigo, e, ao mesmo tempo, seus limites. Ela o aceitava muito bem, contanto que replicasse alguma coisa. Mas, se, infelizmente, a pessoa a ouvia e se zangava, a criança ficava deprimida o dia inteiro, porque tinha sido impedida de ir até o fim da besteira que queria dizer. Eu ainda não tinha filhos na época, [quando presenciei esse processo], mas gravei essa lição formidável; e quando, mais tarde, meus filhos resmungavam depois de terem sido repreendidos, eu achava melhor nada manifestar nesse momento. Quando eles vociferavam alto demais e eu não podia deixar de ouvir, eu lhes dizia: “Sabe, depois de ter dado a bronca em você, eu pus uns filtros no ouvido”. Eles riam com isso e se espantavam: “Como assim? Você põe filtros e se eu te xingar, você não ouve?”. E eu respondia: “Claaaaarooo!!!! Porque eu botei meus filtros contra palavrões!”. Essa maneira de levar as coisas com humor ajuda muito a criança. Ela pode, assim, obedecer salvaguardando ao mesmo tempo o seu narcisismo.
Leia mais em “Destinos de crianças" de Françoise Dolto.

Se uma criança transgride uma proibição ...

Se uma criança transgride uma proibição que lhe foi feita, ela tem efetivamente de experimentar o sofrimento decorrente de seu ato. Se não sofrer, não terá mais confiança em nós, proque isso provará que a proibição não tinha sentido ou era abusiva. Se, ao contrário, a criança sente realmente o perigo que corre ao transgredir essa proibição, porque ainda não tem o controle necessário para conquistar o que cobiça, compreende que o educador é seu auxiliar. 

Leia mais em “Destinos de crianças” de Françoise Dolto

Fracasso escolar

Quando a criança está indo mal na escola, esse é um sintoma que se deve levar em consideração e apreciar conforme muitos critérios , mas não censurar a criança por esse fato. Isso indica que outra coisa não vai bem. Por que desanimar a criança e os pais, prevendo o mais sombrio futuro? Fazer a criança perder a confiança em si é retirar-lhe as suas possibilidades. Isso nunca estimula. O fracasso escolar é uma prova trágica para muitas crianças. O caráter e a sociabilidade, a inteligência do corpo, das mãos, o espírito de iniciativa e de colaboração são indispensáveis para a vida. Estar interessado pelo que se diz e faz na classe (e no recreio) é mais importante do que as notas que se obtém. Intervêm muitos fatores afetivos que provêm a um só tempo do passado e do presente da vida da criança, assim como do ambiente da classe. 
Leia mais em “Etapas decisivas da infância" de Françoise Dolto.

O espaço das crianças

De acordo com o que eu entendi da linha montessoriana, e das ideias da Françoise Dolto, existe um princípio básico que norteia a educação da criança, e por conseguinte toda a organização do ambiente – seja este ambiente o quarto da criança em casa, seja a sala de aula na escola – que é: dar independência e autonomia para a criança. Uma forma de pensar esta independência/autonomia é sentar no chão ou ficar de joelhos, para ter uma perspectiva do ambiente do ponto de vista da criança. Desta forma, você terá uma ideia de como melhor organizar o espaço (seja o quarto/sala/cozinha/banheiro, seja a sala de aula), dando acesso fácil para a criança ao que é dela. Algumas ideias:

• No caso do quarto, o ideal é a cama da criança ser baixa, tornando mais fácil para a criança o acesso a sua própria cama, com segurança e independência. Optamos pelo colchão no chão, um estilo minimalista, e as crianças amaram, os colchões viram cabanas, viram pula-pula, viram sofá, viram cama, e muitas outras coisas. Antes, tínhamos uma tricama de madeira da Finland e as crianças se machucavam muito, batendo a cabeça, caindo. No caso da sala de aula, é prudente evitar o excesso de mobílias, e dispor os móveis de forma que a criança tenha espaço para circular pela sala, além disso, explorar: estantes baixas; recipientes transparentes para os brinquedos; caixas com divisórias para os materiais (do tipo: grãos de feijão/arroz; sementes etc).




• os brinquedos devem ser organizados de forma que a criança possa alcançá-los, então, colocar em prateleiras (no nosso caso, o acesso é subindo pela cama ou por um banco); em gavetas (baixas); em sacos/caixas transparentes e nomeados. O ideal é estarem separados por categorias, como: cozinha (panelas, pratos, talheres, canecas etc); montagem (blocos e outros de encaixe); fantoches; instrumentos musicais; bonequinhos; carros; dominós; quebra-cabeça. E em recipientes transparentes (caixas ou sacolas). Além disso, é imprescindível desentulhar o quarto; neste sentido, ajuda muito limitar a quantidade de brinquedos. Por exemplo, nós combinamos com as crianças que o limite de bonecos que eles podem ter é o tanto que couber nas prateleiras; o tanto de bonequinhos que couber na sacola; e assim por diante. Logo, se chegam brinquedos novos (louças, blocos, louças, fantoches etc), eles fazem uma seleção dentre os velhos para ver os que partirão para doação, inclusive roupas! Só no caso dos livros, é que fazemos uma seleção semanal (leitura antes de dormir) para as prateleiras do quarto e o resto fica guardado no armário (bibliotequinha) da sala, também ao alcance deles.



• com o intuito de facilitar o acesso das crianças aos brinquedos e suas roupinhas, retiramos as portas dos armários, e enfeitamos os interiores com contact estampado. Mudas de roupas (por exemplo: conjunto de saia e blusa), já ficam prontas nas gavetas, ao alcance das crianças, e elas podem escolher qual conjuntinho vestirão.

• as paredes podem ser decoradas com quadros/estampas de arte de alta qualidade, relógio, espelho; preferencialmente, pendurados no plano visual da criança. Colocamos alguns quadros ao alcance das crianças quando em pé sob a pilha de colchões; o espelho na altura delas quando sentadas brincando, e o relógio também. Penduramos ainda três quadros na parede (de cortiça, negro, e branco), na altura das crianças, onde eles podem pendurar desenhos, figuras, obra de arte, assim como, podem retirar, apoiando no chão, para desenhar, experimentando diferentes texturas.


É claro que, por trás disso, é preciso também todo um trabalho educacional/civilizador, e, Françoise Dolto tem excelentes orientações a respeito.

Nós adotamos esta filosofia minimalista de vida faz um tempo. Não foi só o quarto das crianças onde aplicamos o minimalismo, a casa toda tem o mínimo indispensável de móveis, e nossos pertences também são poucos. Eu acho que isto, obviamente, faz parte da educação, ser o exemplo para nossas crianças. Nós nos educamos quando educamos os nossos filhos.

Contos de fada


Se você quer que suas crianças sejam inteligentes
leia para eles contos de fada
Se você quer que eles sejam muito inteligentes
leia muitos contos de fadas para eles.
Albert Einstein

O dia-a-dia das crianças

Depois de preencher uma ficha "julgue seu próximo" do Trabalho da Byron Katie sobre o meu problema com os atrasos, e, uma boa orientação da Françoise Dolto, finalmente, sentei com meus filhos e montamos o quadro com as nossas atividades da semana. E assim eu confirmei mais uma vez a importância de se comunicar com a criança, já desde de pequena, em casa e na escola. Eu tenho um de dois anos e uma de três, e,sinto que tudo fica mais fácil se eles entendem o que vai acontecer e o que estamos pedindo deles!

Escolhi as figuras com as crianças, e para ajudar a lembrar das atividades, eu colocava um alarme no celular, eles escolheram o canto do galo, brincavamos "quando o galo canta eh porque esta na hora de ...". e deu super certo ;-)



(coloquei em pdf as imagens que usamos)
Depois de um mes, eles entraram no ritmo e o quadro ja nao foi mais necessario, nem o galo precisava cantar mais!!!!

Conversamos sobre a rotina deles na escola também, e estes quadros da turma da Mônica nos ajudaram:











Recomendo estas leituras:
O importante ritual do sono da Rosely Sayão
Educação infantil: parâmetros em ação
Family routine

Ah! Lembro que o reward chart da supernanny também ajudou a estabelecer uma rotina ;-)

Atrasados, de novo!!!!!!

A Byron Katie aborda formas de identificar e questionar pensamentos que trazem sofrimento, atrito, raiva, dor. O site em português http://www.thework.com/portugues/ oferece uma ficha intitulada "julgue seu próximo" e mais de um guia com orientações para o preenchimento dessa ficha, tudo gratuito, e, oferecendo tudo o que você precisa para realizar o trabalho sozinho. É interessante também ler ou assistir aos diálogos da B. Katie, pois trazem clareza para os problemas humanos mais complicados, são exemplos de como pessoas comuns podem encontrar sua própria liberdade por meio da investigação. Quanto mais fichas você preencher, quanto mais você se aprofundar neste Trabalho da B.K., mais vai compreender o poder do processo.

Coloquei abaixo uma das milhares de fichas que eu fiz, como exemplo. Lembro que a recomendação de B.K, ao preencher a ficha, é permitir a si mesmo criticar à vontade e ser tão mesquinha quanto realmente se sente, não tentar ser "espiritual" ou "generoso". E é preciso meditar sobre as questões, respirar fundo, às vezes, alguns exemplos, no momento da inversão, vêm muito depois.

Situação-problema: Meus filhos demoram para se arrumar para a escola (comer, vestir-se, escolher os brinquedos para a roda de novidades etc) e nos atrasamos muito na hora de saír de casa.
  • Eu estou irritada com os meus filhos porque eles me atrasam na saída para a escola.
    • Isso é verdade? Sim!
    • Reação: irritação, digo coisas que eu me arrependo depois, eu brigo.
    • Como seria se eu não tivesse esse pensamento de que os meus filhos não podem atrasar? Não sei!
    • Inversões:
      • Eu me atraso na saída para a escola. Exemplos: 1) eu demorei para me vestir também; 2) eu também demorei e/ou esqueci de pegar as minhas coisas (chave do carro, casaco etc); 3) eu demorei para botar o almoço na mesa.
  • Eu quero que os meus filhos vejam como eles me irritam.
    • Isso é verdade? Sim!
    • Reação: brigas.
    • Como seria se eu não tivesse esse pensamento? Não sei.
    • Inversões:
      • Eu quero que eu veja como eu me faço irritada. Exemplos: 1) eu me faço irritada ao esperar que eles solucionem o atraso; 2) eu me faço irritada ao brigar com a realidade, e acreditar que não deveríamos nos atrasar quando estamos super atrasados; 3) eu me faço irritada ao acreditar que sou uma vítima na situação, impotente, quando, na realidade, eu sou a responsável.
      • Eu quero que eu veja como eu irrito os meus filhos. Exemplos: 1) eu irrito e assusto os meus filhos quando eu começo a resmungar/brigar; 2) eu irrito os meus filhos quando eu não deixo eles levarem o brinquedo que eles queriam levar para a escola porque estamos atrasados e eu não quero perder tempo procurando o brinquedo; 3) eu irrito os meus filhos quando eu não paro de cobrar como eles deveriam estar fazendo; 4) eu irrito os meus filhos quando eu apresso eles.
      • Eu não quero que os meus filhos vejam como eles me irritam. Exemplos: 1) eu não quero porque eles verão o que eles quiserem ver, eu não quero controlar o que os meus filhos verão, e, eu só posso controlar o que eu vejo; 2) eu não quero porque eu não quero dar este poder para os meus filhos, o poder de me irritar, eu quero acreditar que eu escolho me fazer irritada; 3) eu não quero porque a realidade é que o atraso dos meus filhos não é a causa da minha irritação; eles não têm nada com isso.
  • Eu preciso que os meus filhos sejam mais objetivos/organizados. 
    • Isso é verdade? Sim!
    • Reação: profunda irritação.
    • Como seria se eu não tivesse esse pensamento? Não sei.
    • Inversões:
      • Eu preciso que eu seja mais objetiva/organizada. Exemplos: 1) organizando-me com um checklist para não esquecer de nada, sendo um exemplo para os meus filhos; 2) colocando alarmes no meu celular para me lembrar: da hora de esquentar a comida; da hora de preparar a minha bolsa; da hora de preparar a bolsa de brinquedos dos meus filhos e com os meus filhos; e, assim, criarmos juntos a disciplina de nos organizarmos com antecedência; 3) elaborando um quadro da nossa rotina para ajudar as crianças a entenderem o que fazemos no nosso dia-a-dia, e, assim, suavizar a transição de uma tarefa para outra.
      • Eu não preciso que os meus filhos sejam mais objetivos/organizados. Exemplos: 1) eu não preciso porque eles são crianças, ainda não tem noção do tempo, muito menos disciplina desenvolvida para se organizar com antecedência; eu também não lembrava na idade deles; 2) eu não preciso porque eu sou a adulta, a responsável, o exemplo; 3) eu não preciso porque eu quero aprender a ser organizada; 4) eu não preciso porque eu não quero depender de ninguém para eu me organizar.
  • Os meus filhos deveriam colaborar para sairmos na hora.
    • Isso é verdade? Sim!
    • Reação: impotência.
    • Como seria se eu não tivesse esse pensamento? Não sei.
    • Inversões:  Eu deveria colaborar para sairmos na hora. Exemplos: 1) sim, eu deveria colaborar ... me antecipando, me ajudando, ajudando os meus filhos; 2) eu deveria colaborar convidando os meus filhos a participarem de nossa organização; 3) eu deveria colaborar não brigando; 4) eu deveria colaborar convidando os meus filhos para aprendermos juntos a como nos organizarmos. 
  • Os meus filhos foram difíceis = Eu fui difícil. Exemplos: 1) eu fui difícil ao brigar com eles; 2) eu fui difícil ao não me organizar; eu fui difícil ao não ajudá-los.
Eu já fiz o trabalho da Byron Katie sobre diversas das minhas dificuldades com os meus filhos. E muita coisa já melhorou em nossa relação graças a essas fichas. Depois dessa ficha acima, em particular, que eu fiz já faz tempo, eu coloquei em prática muitas das ideias que eu tive, e, os resultados foram maravilhosos. Hoje em dia, por exemplo, nós preparamos a mochila juntos, e acabou se tornando um momento gostoso, em que eu fico sabendo mais dos meus filhos: do que eles gostam de brincar na escola, sobre a interação deles com os coleguinhas ... muito legal!

O Trabalho da Byron Katie

Recomendo a leitura do livro "Ame a realidade" da Byron Katie. O trabalho dela aborda formas de identificar e questionar pensamentos que trazem sofrimento, atrito, raiva, dor. O site em português http://www.thework.com/portugues/ oferece uma ficha intitulada "julgue seu próximo" e mais de um guia com orientações para o preenchimento dessa ficha, tudo gratuito. Eu li o livro e comecei a preencher essa ficha toda vez que sentia um emoção negativa, principalmente em relação aos meus filhos, mas com os meus alunos também. Por isso recomendo muito para pais e professores. Postarei algumas das milhares de fichas que eu fiz, inclusive com corte/colagem de trechos do livro e seminários que me ajudaram muito no preenchimento, para dar uma ideia do trabalho proposto pela Byron Katie. Tem me ajudado demais com meus filhos, aliás em todos os meus relacionamentos.

Formulário Julgue-seu-Próximo
Julgue seu próximo • Escreva • Faça as quatro perguntas • Inverta
Primeiro pense em uma situação estressante e recorrente, ainda que possa ter acontecido uma só vez e se repita apenas em sua mente. Antes de responder a cada uma das perguntas abaixo, permita a você mesmo revisitar mentalmente o tempo e lugar desta ocorrência estressante. Os exemplos são da própria Byron Katie realizando o trabalho sobre o marido dela, e em itálico está o que eu escrevi sobre os meus filhos. Em cinza, eu botei trechos adaptados de falas da Byron Katie.
Depois submeta às quatro perguntas
Exemplo: Paulo não me ouve sobre sua saúde.
1. Isso é verdade? (Sim ou não. Se não, vá para a 3)
2. Você pode saber com absoluta certeza que isso é verdade? (Sim ou não)
3. Como você reage, o que acontece, quando você acredita neste pensamento?
4. Quem você seria sem este pensamento?

Então inverta o pensamento
a) Para mim mesmo. (Eu não me ouço sobre minha saúde.)
b) Para o outro. (Eu não ouço o Paulo sobre sua saúde.)
c) Para o oposto. (Paulo me ouve sobre sua saúde.)
Então, encontre pelo menos três exemplos genuínos e específicos, de como cada inversão é verdadeira para você nesta situação. Se as inversões acima não funcionarem, tente inversões que você sinta verdadeiras pra você.

Inversão para a afirmação 6:
Estou disposto a (Exemplo: Estou disposto a que Paulo minta para mim novamente.)
Não vejo a hora (Exemplo: Não vejo a hora que Paulo minta para mim novamente.)
Para mais informações sobre como fazer O Trabalho, visite thework.com/portugues

Sobre mentir

Outro, problema em educação diz respeito aos limites de nosso papel quando queremos tornar uma criança pretensamente sincera e franca: "Nunca se deve mentir." Se exigirmos de uma criança que ela não minta, ela tem de se tornar imbecil, porque uma criança inteligente não é capaz de não mentir. Uma pessoa só pode se tornar sincera se tomar distância em relação ao que fez e que não é conforme ao ideal que tem de si mesma. Se confessamos um ato idiota que acabamos de cometer, somos duas vezes idiotas. Nada é mais perverso do que perguntar a uma criança: - 'Diga a verdade, que eu não vou zangar'.
Mas podemos lhe dizer:
- 'Conte como aconteceu! O que você queria. E o que conseguiu?
– Bom, eu queria fazer tal coisa, e o resultado é que eu quebrei isso, rasguei aquilo ...
– É, talvez tenha sido de fato preferivel ter corrido esse risco do que não ter feito nada, mas, está vendo, voce tem de aprender a fazer melhor certas coisas!'.
Em compensação, o que quer dizer: 'Diga a verdade, não vou zangar?', senão que: 'Quero ter poder sobre você, não permito que você viva fora da minha vigilância?'.

Se estudarmos nossos comportamentos educativos, a metade deles, com certeza, é perversa, a tal ponto queremos ter um poder ilimitado sobre nossas crianças. Como responsáveis (pais / educadores), é sobretudo o poder do exemplo que devemos desenvolver, não para impedir a criança de ter suas experiencias, mas para instrumentá-la nestas e lhe proporcionar os meios de realizá-las, em vez de proibí-las.

Como educador, trata-se de intervir em relação a atos reais na sociedade, referindo-se ao código de valores dessa sociedade, ao código desse grupo a que a criança pertence, e não porque é certo ou errado. A criança vai dizer: "tá certo" ou "tá errado", mas devemos estimulá-la a refletir sobre o porquê, em vez de obrigá-la a admitir valores já prontos:
- 'Por que você diz que está errado?
- Porque está errado, não está?
- Pode ser, mas por que? ... porque, se todos os do grupo fizessem o que voce acaba de fazer, seria perigoso para todo o mundo. Se você puder fazer isso assumindo, mas só voce, o risco, faça, mas não no grupo, porque no grupo é proibido.'

 Acostuma-se, assim, a criança a contar com os outros. É esse o papel do educador. Mas ele não deve acostumar a criança a acreditar que está errado assumir riscos que os outros não poderiam assumir, se ela se sentir capaz. No entanto, ela tem de agir por si mesma, não para se exibir diante dos outros. Porque, enquanto faz parte do grupo, está submetida aos limites dados pelo educador, guardião do regulamento: 'Eu, que sou responsável por voces e que sou pago para ser, não vou permitir voces irem além deste limite'.

Leia mais em "Destinos de crianças" por Françoise Dolto.